Parasita

Hoje acordei excessivamente reflexiva e crítica em relação a tudo.
Às pessoas, sentimentos, prazeres e, principalmente a mim.
Tenho uma percepção muito diferente da vida, decerto cada um deveria ter a sua própria, mas em geral a grande massa divide a mesma percepção insensível, tola e fabricada.
Cresci tentando, frustradamente, materializar sentimentos e emoções que nem ao menos sei se eram reais. Hoje não acredito que tais coisas existam realmente embora ainda me negue a desistir de entender o funcionamento do cérebro humano, e quem sabe assim, ter um vislumbre, uma mágica compreensão do que seria essa medíocre existência.
Há muito venho tentando, em vão, encontrar em outras pessoas o que supostamente eu deveria ter em mim mesma: suficiência afetiva.
Na verdade fiz algumas considerações a respeito, e percebi que me assemelho a um parasita. Encontro uma vítima saudável, me uno a ela por meio de laços emocionais (seja uma simples amizade ou um relacionamento amoroso) e sugo todos os seus bons sentimentos. À propósito, não acredito em separação de bons e maus sentimentos, não vejo, em minha leiga opinião, o amor como um bom sentimento quando manipula e aprisiona. Da mesma maneira, não vejo a raiva como um sentimento ruim quando te faz abandonar a hipocrisia e dizer o que realmente pensa.
Depois que estou afetivamente satisfeita, descarto a minha vítima e sigo em busca de uma nova fonte de prazer.
Há quem diga que eu apenas não encontrei realmente o que desejo, mas acho que encontrei sim, acabei por me encontrar ao me perder assim. (sobre)Vivo , me alimentando dos outros, porque realmente não sou suficiente, não tenho nada a oferecer a ninguém, ponto.
São nesses raros momentos de lucidez, ao escrever, que relamente me sinto em paz. Dizendo a verdade a mim mesma, sem tentar me fazer acreditar em um futuro melhor. Em uma vida quiçá.

2 Ouvintes:

Eduardo. disse...

Mas será que abandonamos assim as pessoas? Na verdade talvez não estejamos o controle nem disso, nem dos nossos sentimentos, talvez por isso não nos encontramos, nos centramos demais em nós, sendo que nem sabemos que somos nós.

É, seus momentos de lucidez me fizeram refletir também, agradecido : )

Eduardo. disse...

Olá Rafaella :)

Bom, eu não posso entregar todo o meu personagem assim não é? Afinal as pessoas não são caixas em aberto, haha. Mas eu pretendo continuar essa história, como você viu esse já é o segundo post, vai acompanhando pra ver :)

Obrigado por visitar e comentar, um bom dia pra você.

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