Incubo straziante

Eu a observava receber carícias daquele estranho.
Estávamos sentados à beira-mar.
Eu nunca me imaginaria nesta situação. À beira-mar.
São Paulo é uma cidade tão diferente daqui. - disse à ela.
Eu imagino. - ela respondeu friamente.
Estar naquele lugar para mim era um refúgio, férias de uma vida que eu não gostaria de ter.
Mas ao mesmo tempo, era torturante vê-la ali.
Tão próxima a mim, mas tão distante.
O que ela queria de mim afinal?
Por que me trouxera para perto de si se não me queria junto a ela?
Desde que eu chegara ainda não havia tido um momento à sós com ela.
Aquela garota que tanto me queria, agora simplesmente me ignorava.
E eu a queria tanto.
Fiquei ali, com os pés mergulhados n'água e a cabeça afundada em "pensentimentos".
Quando dei por mim novamente, eu estava sozinho. Sempre sozinho.
Olhei para trás e lá estava ela.
Caminhando graciosamente em minha direção. Acompanhada apenas do seu belo sorriso.
A imagem agora se deteriora, ela parece desvanecer...
Corra, Maria, corra.
O seu andar airoso foi interrompido e nós sequer chegamos a nos tocar.
Maldito despertador.

2 Ouvintes:

Pedro Dantas disse...

Surtante, embreagante! Linearidade incrível, belo do inicio ao fim. O título deu um tom obscuro e foi o que mais me atraiu pra ler. Sempre surpreendendo rafa!

Rafaella B. disse...

Ai, muito obrigado Pedrão... Fico super lisonjeada de receber elogios de uma pessoa que eu admiro tanto. :)

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