Em toda menina-mulher, uma Maria.

Enfim percebera a Maria que havia dentro de si. Reconhecera a face refletida no espelho. Descobriu-se uma menina-mulher. Menina com cheiro doce de melancia, mulher cheia de temperança.

Não se dera conta de toda a mudança ocorrida. Talvez eu tenha dormido no meio do caminho. Aliás, estaria ela acordada agora? A lucidez era algo raro e devia-se aproveitar ao máximo. 
O corpo ganhara contornos voluptuosos enquanto a inocência insistia em pairar sobre seus grandes olhos cor-de-jabuticaba. As conversas sobre o namoro das bonecas deram lugar aos aborrecimentos rotineiros do trabalho. As tardes desperdiçadas com as mãos sujas de terra molhada cederam aos impulsos consumistas de passeios no shopping. Os assaltos noturnos à geladeira perderam espaço para o computador portátil. Ao menos mantivera a paixão pelos livros. Decerto trocara Hans Christian Andersen por autores não menos complexos, como Àlvares de Azevedo, Hosseini, Poe, Rimbaud, entre tantos outros peritos no pensamento/comportamento humano. E a música. Uma biografia musical seria a vida dela. Entre bossa e sambas, metais e roquenrous. A posologia da vida pefeita.

A ingenuidade. O acreditar. Estes farão sempre parte do seu existir.

Da menina cheia de atitude.
E da mulher, transbordando em insegurança.

6 Ouvintes:

Porkão disse...

Isso vai dos 14 aos 24 ?

Rafaella B. disse...

Acho que dos 13 aos 19 ^^

Douglas Thaynã disse...

Tem selo pra ti lá no Sangue e Solidão!

bárbara alencar disse...

adorei a transição, todos os exemplos são parcialmente verdadeiros para mim!

Kênnia Méleus disse...

Diferente, bonito e bem escrito, Rafaella.

deia.s disse...

Bem bom :*

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