A/C Deus

Deus,
sei não nos falamos há muito tempo...
Sei que tenho andado distante, mas o Senhor também não se aproxima.
Não importa -
há tantas coisas que eu queria Lhe pedir... mas acho isso muita
hipocrisia da minha parte.
Deus, se o Senhor realmente existe,
cure a minha mente insana...
O Senhor não viu que me fabricou com defeito?
Anda logo que ainda dá tempo de consertar.

Por favor, vem logo enaquanto eu ainda acredito.

(In)verdades

Mentir, não é mesmo meu forte

embora eu me arrisque algumas vezes...
Minha visita ao psiquiatra resultou em algumas surpresas...
não para mim, é claro
Pensamentos suicidas? Acho que sempre os tive, acho que os tenho todos os dias.
Mas não há risco, são apenas pensamentos, sou covarde demais
para fazer o que vivi imaginando...
Eu nem sou uma pessoa triste, na verdade, não sou feliz também...
Mas isso não importa, não acredito que tristeza e felicidade sejam condições "fixas" digamos assim, são apenas estados de espírito...
E afinal, eu sofro de Transtorno Bipolar do Humor mesmo, não faria a menor diferença...

Hoje eu estou num bom dia...

hopeless
Pela manhã, fiz algo que há muito não fazia...
Me deixei receber carinho, me senti novamente uma criança, que levanta de manhã e vai para a cama da mãe, com os cabelos sendo afagados, quase entrei em êxtase...
Daí a conversa mudou o rumo, política - um de meus temas prediletos...
foi muito triste ver aquele olhar de desesperança em minha mãe.
"Não sei porque todo esse fervor, essa paixão por política... Você não vai ganhar nada com isso, só vai se decepcionar..." - ela disse.
Sem hessitar eu a respondi sinceramente...
"Mãe, eu preciso acreditar que as coisas vão mudar um dia, mais que isso, eu tenho que fazer a minha parte para essas mudanças acontecerem. Não faço isso por um partido político, ou por algum canidato por que eu tenha simpatia. Faço isso porque acredito que só nos movimentando possamos mudar alguma coisa."

E além do mais... se eu não acreditar que tudo isso é passageiro, que outro sentido eu encontraria???
oscar,
não precisa se despedir — o abandono já basta. olhar nos olhos seria sacrifício demais — e lhe exigiria mentir. além do quê, faltariam palavras, a voz falharia, e tudo ficaria exatamente como está — no parado. por isso, vou facilitar as coisas: abreviar a história, noticiar o céu e engolir, de uma vez, essas verdades inventadas. a seguir, farei qualquer coisa muito intensa como gritar — antes que os vermes cheguem.
juliet,
agora que já sabe que toda dor um dia acaba, larga o cigarro e vem pra perto de mim. me toma pra si e diz que quer cuidar de mim. um sorriso por um beijo? tua alma aflita pede o conforto da minha. minha alma, o abrigo da tua. me dá um milhão de beijos? desejo do cheiro teu no corpo meu. da graça tua. silhueta & espelhamento. doçura & ventania. devaneio.
juliet,
tenho odiado cada vez mais esta solidão acompanhada. e todas as outras. e não se trata de fobia social. ou agouro alheio. deve ser mesmo por culpa das máscaras. troquei a de princesa pela de espantalho. e não é pra isso que servem? funcionou. ao menos é o que parece. todos a minha volta se foram. e pior: parecem felizes com a situação. agora é pelos jornais que sei dos desejos e das vidas compartilhadas. dos finais felizes. esses de ficção: troca de alianças, juras de amor e promessas públicas de altar. só não dão a receita. deve pertencer a alguma seita maldita. ingresso? selar pactos com o demônio. e aí mora a incompatibilidade. você sabe. enlaces com o mal dito não são do meu feitio. prefiro mesmo me abastecer da tua doçura, baby. não demore. pode ser tarde.
juliet,
as soluções humanas não têm resolvido — e o meu repertório parece no fim. é que não sou assim forte como você pensa — e todos têm certeza. acho até que me cansei de bancar a forte/doce, independente/serena, decidida/leve. me empresta agora a tua mão? quero sentir o gosto da fumaça de cigarro na tua boca, registrar o que sobrou da água barrenta nos dedos e tocar de novo o traçado que só ela tem.
charlie,
não sei o que quis dizer com não me levar tão a sério. minhas fantasias são todas reais, baby — orgânicas, falíveis. e, de um jeito ou de outro, existem porque você existiu antes delas — em desejo, em confissão: profusão da carne, incandescência afetiva, turbilhão. porque é bonito e sensato saber que você existe desse jeito em mim — a ponto de me ensinar a gostar de viver.
charlie,
não adianta sumir, navegar pra bem longe, se distanciar daqui —
o mar vai sempre te levar pra perto de mim.
a menos que tudo se acabe, os dias terminem,
e a gente desista disso que você chama de ressaca
e eu prefiro chamar de desejo.
não me deixa aqui sozinha, vai! compensa a espera, a reserva especial, o plano raso da vida. porque agora eu já sei esperar. também aprendi a controlar os sentidos, marchar lento, transformar loucura em leveza — vazio em beleza —, me apaziguar. você me fez assim — quando me colocou de frente pra vida e, sem dizer, me fez ouvir: você não está mais sozinha.