juliet,
agora que já sabe que toda dor um dia acaba, larga o cigarro e vem pra perto de mim. me toma pra si e diz que quer cuidar de mim. um sorriso por um beijo? tua alma aflita pede o conforto da minha. minha alma, o abrigo da tua. me dá um milhão de beijos? desejo do cheiro teu no corpo meu. da graça tua. silhueta & espelhamento. doçura & ventania. devaneio.
juliet,
tenho odiado cada vez mais esta solidão acompanhada. e todas as outras. e não se trata de fobia social. ou agouro alheio. deve ser mesmo por culpa das máscaras. troquei a de princesa pela de espantalho. e não é pra isso que servem? funcionou. ao menos é o que parece. todos a minha volta se foram. e pior: parecem felizes com a situação. agora é pelos jornais que sei dos desejos e das vidas compartilhadas. dos finais felizes. esses de ficção: troca de alianças, juras de amor e promessas públicas de altar. só não dão a receita. deve pertencer a alguma seita maldita. ingresso? selar pactos com o demônio. e aí mora a incompatibilidade. você sabe. enlaces com o mal dito não são do meu feitio. prefiro mesmo me abastecer da tua doçura, baby. não demore. pode ser tarde.
juliet,
as soluções humanas não têm resolvido — e o meu repertório parece no fim. é que não sou assim forte como você pensa — e todos têm certeza. acho até que me cansei de bancar a forte/doce, independente/serena, decidida/leve. me empresta agora a tua mão? quero sentir o gosto da fumaça de cigarro na tua boca, registrar o que sobrou da água barrenta nos dedos e tocar de novo o traçado que só ela tem.
charlie,
não sei o que quis dizer com não me levar tão a sério. minhas fantasias são todas reais, baby — orgânicas, falíveis. e, de um jeito ou de outro, existem porque você existiu antes delas — em desejo, em confissão: profusão da carne, incandescência afetiva, turbilhão. porque é bonito e sensato saber que você existe desse jeito em mim — a ponto de me ensinar a gostar de viver.
charlie,
não adianta sumir, navegar pra bem longe, se distanciar daqui —
o mar vai sempre te levar pra perto de mim.
a menos que tudo se acabe, os dias terminem,
e a gente desista disso que você chama de ressaca
e eu prefiro chamar de desejo.
não me deixa aqui sozinha, vai! compensa a espera, a reserva especial, o plano raso da vida. porque agora eu já sei esperar. também aprendi a controlar os sentidos, marchar lento, transformar loucura em leveza — vazio em beleza —, me apaziguar. você me fez assim — quando me colocou de frente pra vida e, sem dizer, me fez ouvir: você não está mais sozinha.
Eu como, rio
Brinco e Pulo

Sento choro
Me canso
e Durmo...
eu sei que a vida tem disso.
por isso é que hoje quero falar ainda menos,
dizer pouco — me calar.
acho que assim a tristeza consegue ser menor
e ir pingando bem devagar —
até alcançar o chão.
melhor do que sair por aí
queimando os outros com palavras cortantes —
eles já têm as suas tristezinhas.
e não quero que pensem que sou egoísta —
porque isso
eu não sou.

Para a pessoa mais insuportavelmente irresistível do mundo...

Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Mais ainda quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar

Confession

Mesmo se eu tentasse explicar

você não entenderia
o meu vazio, a minha vontade
de estar com você.

Você é a minha força,
minha fraqueza.
Eu quero você,
sentir você,
estar com você -
em você.

E de repente tudo acontece,
você não está do meu lado
pra me dizer o que fazer...
Pra eu sentir que você me ama...
Eu apenas...

Eu quero só você,
ninguém mais...

Então diz que também me quer,
pra nós ficarmos bem...